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Vender não é ter um processo comercial: a diferença que trava as PMEs

Fechar negócios não é o mesmo que ter um processo comercial. Explico a diferença —a que separa as PMEs que crescem das que estagnam— e por onde começar.

Vender não é ter um processo comercial: a diferença que trava as PMEs

Quando pergunto a um dono de PME se ele tem um processo comercial, quase sempre me diz que sim. E quando peço que me descreva, o que ele me conta é como fechou seu último negócio. São duas coisas diferentes, e confundi-las é uma das razões mais comuns pelas quais uma empresa que vende acaba estagnada.

Fechar um negócio é um evento. Um processo comercial é o sistema que faz com que esses eventos aconteçam de forma previsível, com gente diferente e sem depender de alguém estar inspirado naquele dia. A maioria das PMEs tem o primeiro e acredita que tem o segundo.

O que é de verdade um processo comercial

Um processo comercial não é “sair para vender”. É ter claras as etapas pelas quais um cliente passa desde que aparece até que compra —e saber o que tem de acontecer para que avance de uma para a seguinte.

As etapas de um processo comercial, de prospect a cliente
Um processo é um caminho com etapas e critérios de avanço, não uma única conversa de fechamento.

Pense assim. Um prospect não pula de “não te conheço” para “compro de você” num só passo. Passa por algo como isto:

  • Prospect: alguém que poderia comprar, mas você ainda não conversou com ele de verdade.
  • Contatado: já houve uma primeira conversa; você sabe se há interesse real.
  • Cotado: você entendeu a necessidade dele e colocou números.
  • Negociação: estão ajustando condições, resolvendo objeções.
  • Fechamento: ele compra (ou não) — e você sabe por quê.

Cada empresa tem suas próprias etapas, e tudo bem. O que importa não é quantas sejam, mas que existam e que todos as entendam igual. Porque quando as etapas são claras, você para de perguntar “como vamos com as vendas?” e começa a perguntar “quantos negócios tenho em cotação e o que cada um precisa para avançar?”. Essa segunda pergunta dá para responder, medir e melhorar.

Vender é fechar; o processo é tudo o que faz você poder fechar

Aqui está a armadilha mental. O dono que “vende bem” é ótimo na parte final: sentar-se diante do cliente e fechar. E como essa parte lhe sai natural, acredita que isso é o processo.

Mas o fechamento é a ponta do iceberg. Embaixo está tudo o que quase ninguém olha: a quais prospects você deu acompanhamento e quais deixou esfriar, quantas cotações ficaram sem resposta, quais negócios estão parados há três semanas sem que ninguém perceba. Esse “debaixo d’água” é o processo. E é justamente onde se perde a maior parte do dinheiro — não no fechamento, mas em tudo o que nunca chegou ao fechamento porque caiu no caminho.

Por que essa diferença trava o crescimento

Enquanto você vende sozinho, não nota a diferença: sua cabeça é o processo. Você lembra de quem tem de ligar, o que prometeu a cada um, qual negócio está quente. Funciona… até que deixa de funcionar.

O problema aparece quando você quer crescer. Contrata um vendedor e descobre que não consegue “passar” seu instinto: não há etapas escritas, não há critérios, não há nada para copiar. Cada um inventa sua forma, os resultados são desiguais e você acaba revisando negócio por negócio para entender o que está acontecendo. O que você sentia como agilidade quando era um só, vira caos quando são cinco.

Uma empresa que só sabe fechar tem um teto: o número de negócios que cabem na cabeça de uma pessoa. Uma empresa com processo cresce porque o sistema não vive numa cabeça — vive num lugar onde todos o veem.

A diferença se nota justamente quando algo se complica. Veja os mesmos momentos numa empresa sem processo e numa que o tem:

Quando algo se complica…Empresa que só sabe fecharEmpresa com processo
O melhor vendedor se ausentaAs vendas caem com eleA equipe segue com o mesmo método
Entra um vendedor novoInventa sua própria formaCopia um processo já testado
Uma cotação fica sem respostaNinguém sabe se houve acompanhamentoO próximo passo está agendado
Você pergunta como vão as vendas"Acho que bem"Quantos negócios há em cada etapa

Como começar a ter um processo (sem transformá-lo em burocracia)

A boa notícia é que você não precisa de um manual gigante. Precisa responder três perguntas e escrever as respostas:

  1. Quais são minhas etapas? Desenhe o caminho real que seus clientes seguem hoje, de prospect a fechamento. Três a cinco etapas é saudável; mais de sete quase sempre é burocracia disfarçada.
  2. O que tem de acontecer para avançar de uma etapa para a seguinte? Por exemplo: um prospect passa para “cotado” só quando entendi a necessidade dele e mandei números. Esse critério evita o autoengano de sentir que tudo vai “avançando”.
  3. Como vejo todos os meus negócios ao mesmo tempo? Se isso vive na sua cabeça ou em notas soltas, você não vê. Precisa estar num só lugar onde de relance você saiba o que há em cada etapa.

Isso é um processo comercial na sua forma mais simples. Não é teoria de consultor: é tornar visível o que você já faz, para poder repeti-lo, delegá-lo e melhorá-lo.

Comece pelo pequenoVocê não precisa do processo perfeito para arrancar. Escreva hoje suas etapas numa folha e coloque um critério de avanço em cada uma. Um processo simples que você de fato usa vale mais que um sofisticado que ninguém segue.
Dona de PME escrevendo as etapas do seu processo de vendas
O primeiro processo cabe numa folha: suas etapas e o que tem de acontecer para avançar de uma para a seguinte.

Quando esse processo tem de se sustentar dia a dia —com vários vendedores e dezenas de negócios abertos— é quando uma ferramenta como o Mexus CRM começa a ganhar seu lugar: não como o processo em si, mas como o lugar onde o processo vive e não desmorona. Mas primeiro está a decisão de deixar de confundir fechar com ter um sistema. Essa parte nenhum software faz: você faz.

Fechar é um evento; ter um processo é o que faz esse evento se repetir com gente diferente, uma e outra vez.

Perguntas frequentes

Quantas etapas deve ter um processo comercial?

As que reflitam sua realidade, normalmente entre três e cinco. O importante não é o número, mas que cada etapa tenha um critério claro de entrada e saída, e que toda a equipe as entenda igual. Etapas demais costumam ser burocracia que ninguém segue.

Não basta ter bons vendedores para não me complicar com processos?

Um bom vendedor sem processo concentra o risco e não pode ser replicado. O processo não substitui o talento: torna-o repetível. Com um processo claro, um vendedor médio dá resultados consistentes e um bom vendedor dá resultados extraordinários — e sobretudo, você pode crescer sem depender de uma só pessoa.

Um processo comercial não deixa tudo lento e burocrático?

Só se você o desenhar mal. Um bom processo tira fricção, não a acrescenta: diz a você no que focar hoje e evita que negócios caiam por esquecimento. Se o seu processo deixa o dia a dia mais lento em vez de organizá-lo, você tem etapas ou campos demais que não servem — corte até que ajude.

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